Alemães são mais tolerados do que benquistos na Suíça

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Mensagem  TIT@ em Ter Jan 27, 2009 4:19 am

Alemães são mais tolerados do que benquistos na Suíça

Mais de 200 mil alemães vivem na Suíça, formando o segundo maior grupo de estrangeiros no país, depois dos italianos. Apesar de compartilharem a mesma cultura, os alemães imigrados e os suíços não vivem em plena harmonia.

"O maior sempre é considerado frio, arrogante e materialista; o menor se auto-atribui calor humano e sensibilidade. Os berneses relacionam-se com os zuriquenhos como um forno com uma geleira."

Assim o germanista suíço Peter von Matt descreveu em entrevista ao jornal Tages Anzeiger, de Zurique, as relações freqüentemente existentes entre cidades, regiões, países ou continentes.

Esse fenômeno também pode influenciar a visão que se tem dos alemães, diagnostica von Matt. "Mas isso é inofensivo e tão universal como o resfriado", acrescenta.

A Alemanha é o principal parceiro comercial da Suíça. Instituições de fomento à economia suíça pescam em águas alemães. Em seus lustrosos prospectos, eles destacam as vantagens fiscais oferecidas pela Suíça. Empresas alemãs abriram subsidiárias na Suíça, gerando empregos e contribuindo com o crescimento econômico.

Altos salários, tempo bom e Alpes

Um por cento dos suíços (73 mil) vivem na Alemanha; 0,25% dos alemães (200 mil) vivem na Suíça, formando o segundo maior grupo de estrangeiros no país depois dos italianos.

Há bons argumentos para os alemães emigrarem para a Suíça: os salários são atraentes, o tempo é melhor, os Alpes estão à porta da casa, o idioma padrão (pelo menos na suíça alemã) é o mesmo.

Especialmente elevado é o número de alemães entre os médicos, engenheiros, professores universitários e executivos. A livre circulação de mão-de-obra é boa para o Produto Interno Bruto suíço.

Imigrantes na Suíça (swissinfo)Duros na bola, precisos na fala

No futebol, os alemães são melhores – desde 1956 os suíços não os vencem. Isso alimenta animosidades no cotidiano e produz manchetes para a imprensa sensacionalista.

"Germanização" é palavra com que a suíça francófona há décadas exprime seu medo de um deslocamento da fronteira lingüística.

Mas essa fronteira muda pouco, se é que muda. Bem mais marcante é o aumento da arrecadação de impostos nas cidades preferidas pelos alemães para residir. Os suíços alemães, no mais tardar na segunda geração, também falam francês.

Também os alemães imigrados trazem as condições para uma integração bem-sucedida. A cultura é a mesma. As crianças não têm problemas de idioma na escola. Elas dominam o alemão padrão, têm um vocabulário mais rico e são mais precisas na expressão.

Alemão padrão: língua estrangeira
Mas exatamente a língua comum revela as diferenças. Os alemães são mais diretos, eloqüentes, o que para os suíços nem sempre é fácil de engolir.

Além disso, os suíços vêem o alemão padrão como língua estrangeira e o falam contra a vontade. Os alemães, por sua vez, não se consideram totalmente aceitos quando os suíços falam com eles em alemão padrão em vez de usarem o dialeto.

Muitos alemães enfrentam problemas nos primeiros anos na Suíça, constata Werner Koller. "As diferenças não precisam ser muito grandes para ser tratado como estrangeiro na Suíça", conclui o autor do estudo "Alemães na Suíça Alemã".

Por um lado, muitos suíços esperam uma adaptação lingüística dos imigrantes. Por outro lado, segundo Koller, também há reflexos de defesa, no sentido de que os alemães queiram preservar sua identidade.

"Os alemães não devem falar a língua coloquial dos suíços, porque esta serve como delimitação em relação ao 'grande irmão'", diz Koller. Além disso, os alemães precisam aprender a ver o suíço-alemão não como um dialeto nem como um idioma de menor valor.

"Falantes do dialeto aqui não são considerados menos inteligentes. Pelo contrário, o alemão padrão é considerado uma barreira emocional", explica Koller.

Sempre foi assim
Blogueiros alemães elogiam a qualidade de vida, a cordialidade e o funcionamento das instituições na Suíça. Alguns reclamam de observações de menosprezo. "Os italianos avaliaram minha presença como sinal de meu interesse por seu país. Aqui isso foi diferente", escreve um engenheiro que vive há 10 anos na Suíça.

O fenômeno não é novo. Já em 1855 o professor da Escola Politécnica de Zurique, Friederich Theodor Vischer, observou: "Como alemão no relacionamento com suíços tem-se a impressão de pisar em solo oco, sempre com uma observação contra os alemães."

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